DIÁRIO DE CAMPANHA - EP01SE00 - UM TREM PARA CINCINNATI





DIÁRIO DE CAMPANHA - UM TREM PARA CINCINNATI



Ok. Começamos aqui nosso primeiro diário de campanha! Em tempos de streamings de mesas e tantas opções, ainda há espaço para diários de campanha? Nós acreditamos que sim. Nem todo mundo tem 4 horas para assistir uma mesa e ver um pouco de como uma história pode seguir é sempre interessante.

Além disso, nossa temporada piloto é uma versão (basicamente um "módulo") de D&D 5E que chamamos de O Chamado da Morte Vermelha que traz um pouco de Chamado de Cthulhu e de Masque of the Red Death. Então, ela serve para mestres e jogadores verem um pouco de como uma sessão de investigação pode funcionar. 

Aqui favorecemos a história, mais do que as rolagens de dado, ainda que as regras sejam seguidas em 100% do tempo. Então você verá pouco (ou nunca) se um personagem tirou um bom resultado numa rolagem de dado e sim o resultado de suas ações.

A aventura que verão a seguir é Um Trem Para Cincinnati é uma versão da aventura Falls Run, de James Wyatt, para Masque of the Red Death

Se ajeitem na cadeira e boa leitura.




INTRODUÇÃO


Na Sessão Zero, além de apresentar o sistema que seria usado (que você pode ler AQUI), e conversar com o grupo sobre expectativas e sobre como seria o jogo, horário, temas, regras e demais explicações, firmando o Pacto Social que seria lastro de nossa jogatina, entreguei o seguinte texto:


"Estamos na Terra. Ou melhor, no que é conhecido por Terra Gótica, um mundo muito parecido com o nosso, mas onde as sombras são mais densas e perigosas. Figuras notáveis de nossa literatura do século XIX  como Van Helsing, Sherlock Holmes ou Dorian Gray são reais e caminham pelas ruas em meio a névoa e o medo. O terror vindo da escuridão, das ruínas, das estrelas ou do fundo do mar às vezes é assunto entre uma cerveja ou outra num pub ou numa casa de ópio. Mas sabemos que não passam de superstição vinda de mentes inocentes e de interpretações equivocadas dos acontecimentos. A ignorância ainda não foi apagada 100 após o século das luzes...


O ano é 1890. A data, pra ser mais preciso, é 23 de dezembro de 1890. Por motivos pessoais, os personagens embarcam no trem em Baltimore, rumo a Cincinnati. A noite fria e a neve convidam a um breve cochilo até que o café seja servido no vagão restaurante - uma oportunidade para aquecer o corpo e despertar o cérebro...".


Assim, os jogadores decidiram por fazer os personagens abaixo:

Frederick Smith - Um jovem repórter de Nova Iorque procurando sua primeira grande reportagem para sair do anonimato.




Thomas Willbourn - Um médico que se interessou pelos mitos dos nativos americanos sobre curas milagrosas e trabalhou nas Guerras Apache, onde sofreu um acidente e acabou sendo cuidado por um xamã com o qual travou uma amizade e trocou conhecimentos sobre medicina e misticismo.





Rockison Dantes - Um bombeiro que está atrás de um perigoso incendiário que tem colocado fogo em diversas construções na Costa Leste dos EUA.




PRIMEIRA SESSÃO


Os personagens não se conhecem ainda e embarcam num trem em Baltimore com destino a Cincinnati, às 18h10 do dia 23 de dezembro de 1890. Eles carregam algumas posses e armas, pois a Terra Gótica é um lugar perigoso e os EUA ainda não tinham qualquer regulamentação do uso de armas, inclusive aumentando sua fama de terra sem lei e selvagem aos olhos dos vitorianos europeus.

Após se acomodarem em cabines para duas pessoas, na "classe executiva", Thomas e Frederick dividem uma cabine e o passageiro que dividiria cabine com Rockison não conseguiu pegar o trem a tempo. Será sorte do senhor R. Dantes ficar sozinho? Apenas na primeira classe os vagões são individuais. Talvez seja sorte. 




 
Thomas e Frederick não interagem logo de cara, mas após algum tempo eles se apresentam e conversam por cerca de uma ou duas horas, ficam em silêncio por mais uma hora e depois que um camareiro passou avisando que em breve "as luzes seriam apagadas" nos vagões de viagem para que os passageiros pudessem dormir, eles aproveitam a parada na cidade de Keyser, na Virgínia Ocidental, e se dirigem ao vagão restaurante que, assim como o vagão de charutaria e o vagão de jogos, permaneceria iluminado por toda a viagem com duração estimada entre 15 a 16 horas.

O vagão está bem cheio e eles conseguem uma mesa. Rockison Dantes decide comer algo antes de dormir e também vai ao vagão. Percebendo que quase não há lugares disponíveis, ele pede licença a dois homens em uma mesa para se juntar a eles: Thomas e Frederick.

Assim temos o grupo de jogadores unido pela primeira vez.





Eles pedem algo para comer e conversam, aproveitando para se conhecer e se distrair um pouco, afinal a viagem é longa. Após cerca de uma hora de conversa e tendo jantado, já sentindo um pouco de sono, os viajantes começam a finalizar o assunto, porém um grito agudo cheio de horror invade o vagão. Uma mulher surge gritando por um médico. Um homem foi ferido. Ela está nervosa. Atrás dela um homem e outra mulher surgem.

Thomas respira fundo e vê se alguém se apresenta. Ninguém dando qualquer sinal, ele se levanta e informa ser médico. Frederick acompanha a movimentação, pois nunca se sabe de onde pode surgir uma grande notícia. Rockison trabalha como bombeiro e acredita que pode ser de alguma ajuda, dependendo do que aconteceu. Eles são levados até um vagão onde encontram um homem caído. Ele está morto.

Thomas começa a analisar a causa da morte, mas percebe que não é complicado descobrir. Algum instrumento perfurou as costas da vítima de forma muito profunda, o que deve ter exigido uma certa força. Foi fatal.

Enquanto isso, Frederick e Rockison conversam com os três jovens que encontraram o corpo. Eles são Elisa Stephens, Elaine Stephens e Alvin Stephens. As duas são irmãs que viajavam com o primo, Alvin. Elas estão em estado de choque, especialmente Elise que foi quem encontrou a vítima. Ela conversara com o rapaz no começo da viagem. Ele se chamava Martin Hammond e era o telegrafista do trem.

Após algum tempo um homem baixo de chapéu coco chega e começa a fazer perguntas. Ele se apresenta como Geofrey Leecy, o detetive da companhia. Companhias de trem contratam detetives para ficarem de olho nos funcionários e evitar que eles bebam em serviço. Como "autoridade" no local, ele decide interrogar todos que estavam neste vagão, que é um vagão de passageiros convencional, com uma pequena área destinada ao telégrafo em uma das pontas. Frederick acompanha o desenrolar do interrogatório enquanto Thomas e Rockison terminam de olhar o corpo. Thomas decide procurar por algum registro de telégrafos, algo como um caderno com notas e recibos. Quem sabe não há alguma pista?

[O jogador recebe um ponto de inspiração]






Após encontrar o caderno e perceber que ele está em algum tipo de código, ele decide guardar para si, colocando o caderno no meio de suas coisas de médico. Eles então vão até a area de passageiros, fechando a porta atrás de si. Um camareiro tranca o local para que na próxima parada a polícia possa ser chamada. O interrogatório continua em duas das poltronas. O vagão não está completamente cheio e foi possível organizar de forma rústica um local onde as oitivas acontecessem.






Rockison e Thomas percebem o que Frederick já percebera: Geoffrey certamente não nasceu para aquilo. Ele faz três ou quatro perguntas como "qual o seu nome?" ou "qual a razão da viagem?" e anota num caderninho. E é só. A parada em Grafton está programada para acontecer por volta de meia noite e dez ou vinte, ou seja, em cerca de meia hora. 

De repente, um enorme barulho parece vir da salinha de telégrafo que está trancada!

O funcionário nervosamente procura a chave. Eles enfim entram. O corpo está no chão e o aparelho de telégrafo está destruído.

Thomas, Rockison, Frederick e Geoffrey se amontoam na pequena sala procurando por algo. A outra porta também havia sido trancada. De onde viera o vândalo que destruíra o aparelho? O que ele temia? No meio da confusão, Frederick e Thomas percebem um vulto (humano?) do lado de fora da janela, com o trem em movimento, e sentem um calafrio subir sua espinha.





A mente de cada um deles começa a girar. Um vira o rosto e o outro esfrega os olhos. Quando voltam a olhar para a janela, o vulto não está mais lá. O que foi aquilo? A mente às vezes nos prega peças, ainda mais em meio a uma confusão como essa. Eles respiram fundo e perguntam se mais alguém viu aquilo. Não houve tempo para respostas.

Um barulho ensurdecedor é seguido de uma pancada de força descomunal: o trem acabava de descarrilar.





FIM DA PRIMEIRA SESSÃO. 


FINALIZANDO


Gostou de nosso Diário de Campanha? Quer saber como foi a segunda sessão? Deixe nos comentários! E se quiser saber mais sobre aventuras de mistério e investigação, falamos um pouco sobre isso AQUI.

Esperamos que tenham gostado.

Comente, compartilhe! Faça com que saibamos que você gostou deste texto! E não se esqueçam de nos apoiar, curtindo nossa página no Twitter, Facebook e Instagram: @meuspergaminhos (você pode usar os pequenos ícones no topo de nossa página). Apoie a produção de conteúdo de D&D em PT/BR.

Postar um comentário

1 Comentários

Forrest Gump X disse…
Parece uma história bem promissora. Curti a contextualização dos detalhes sobre o ambiente de um trem daquela época e os protagonistas me convenceram como personagens do cenário proposto para a aventura. O susto no final foi bem.lovecraftiano! Peguei o PDF sobre adaptações da 5E para aventuras nesses estilo. Creio que usarei algum dia. Parabéns pelo trabalho!