O CENÁRIO E OS MAPAS DE FORGOTTEN REALMS


OS REINOS ESQUECIDOS E SEUS MAPAS


Texto de Paulo Henrique Lima.
Revisão e Edição de Rafael Castelo Branco de Oliveira Torres.


"A vida não tem sentido, mas podemos dar um a ela. Eu gostaria que mais de vocês fizessem isso, ao menos um pouco".
(Ed Greenwood, Elminster: The Making of a Mage)


Mapa da Costa da Espada (5E)



Forgotten Realms – o cenário oficial para o jogo de RPG chamado Dungeons & Dragons – formam um dos maiores, mais detalhados e populares mundos de fantasia já criados. Foi idealizado pelo escritor Canadense Ed Greenwood, e foi ele que começou a desenvolver este cenário para as histórias de fantasia que ele tinha criado com apenas oito anos de idade. Dez anos depois ele começou a criar campanhas de D&D no mesmo mundo, e também começou a escrever artigos para a Dungeon Magazine. A primeira menção impressa dos Reinos foi feita em 1978.Nos oito anos seguintes, Greenwood tornou-se o mais popular escritor de artigos para revistas e, processo, incluiu várias dicas sobre seu próprio mundo de RPG.

Em 1986, os produtores da TSR estavam procurando um novo cenário. O cenário de Dragonlance teve um enorme sucesso, mas a sensação é que o continente de Ansalon era pequeno demais para servir de cenário para tantas histórias. O "criador" de D&D, Gary Gygax, também estava de sua dolorosa despedida da TSR, o que tornou o futuro uso de seu cenário, World of Greyhawk, uma escolha questionável, ainda que os direitos sobre o cenário tenham ficado com a empresa. O D&D precisava de um novo mundo “base”.

O editor da TSR, Jeff Grubb, entrou em contato com Greenwood e perguntou o quanto dos Reinos ele já havia criado. A resposta de Greenwood foi: “um montão bagarai”. Logo logo, várias caixas estavam chegando no quartel general da TSR em Lake Geneva, Wisconsin. Cada caixa estava cheia de anotações, manuscritas ou digitadas, apresentando informações sobre centenas de personagens e vilas, dezenas de nações e cidades, novo monstros, facções e itens mágicos. O mapa principal de Greenwood foi dividido em dezenas de folhas de papel A4, que foram meticulosamente remontadas no escritório principal da TSR, ocupando quase todos os centímetros de espaço livre. O mapa de Waterdeep (Águas Profundas), cidade símbolo do cenário de Greenwood, era maior e mais detalhado, e quase todos os edifícios receberam nomes. Essa foi uma super-inspiração Tolkieniana, porém mais profunda, expandida e aplicada em um continente várias vezes maior que o da Terra-Média.



Forgotten Realms - 1987


A TSR, um pouco admirada, comprou os direitos do cenário e começou a divulga-lo ao público em 1987. O primeiro lançamento foi um romance, Darkwalker on Moonshae (ou O Andarilho Sombrio nas Mooshae), de Douglas Niles. Logo depois lançaram o Forgotten Realms Campaign Setting, ou o famoso “Big Gray Box” (algo como Caixa Grande Cinzenta, já que vinha em uma caixa...), como ficou conhecido. O Grey Box vendeu mais de 100.000 cópias em pouco tempo, um número impressionante para um suplemento de RPG. Ed Greenwood escreveu seu próprio romance, Spellfire (se quiser ver a subclasse de bruxo que fizemos inspirada neste romance que virou uma trilogia, clique AQUI) e, alguns meses depois, outro livro foi publicado por um romancista de primeira viagem chamado R. A. “Bob” Salvatore. A Estilha de Cristal introduziu o personagem Drizzt Do’ Urdem, um guardião elfo negro (drow), que procurava redimir os pecados de toda sua raça. Até o momento, mais de 30 milhões de cópias do romance de Drizzt foram vendidas.

Forgotten cresceu e se expandiu. O continente de Kara-tur, anteriormente desenvolvido em 1985 para o livro Oriental Adventures, foi colocado no lado leste dos Reinos (com a permissão de Greenwood). O continente ocidental de Maztica e o continente sul de Zakhara foram explorados em outros conjuntos de caixas. Dezenas de aventuras e suplementos exploraram os deuses, grupos de poder e raças de Forgotten, em detalhes quase cirúrgicos. Em 1989, Forgotten fez uma transição para o D&D 2ª Edição, por meio de uma campanha épica conhecida como Time of Troubles, traduzido como O Tempo das Perturbações pela Abril Jovem, ou Guerra dos Avatares, o primeiro de muitos “eventos épicos” nos reinos que unificaram um cenário conhecido pelo tamanho e pelos vários recortes.


Forgotten Realms - 1993



O cenário foi também expandido para uma série bem sucedida de quadrinhos e também para uma linha de jogos eletrônicos, como a Curse of The Azure Bonds. No entanto, foi o épico Eye of the Beholder (1991), que se tornou um grande sucesso entre os jogadores em geral e aumentou ainda mais o público.



Forgotten Realms - 1996



Mais tarde, D&D e Forgotten enfrentaram um grande problema com a falência da TSR em 1997, período o qual foi cogitado que ambos desaparecessem completamente. No entanto, a Wizards of the Coast entrou em cena e comprou o jogo e o cenário. Isso levou a um renascimento criativo do cenário, liderado pelo superpopular jogo eletrônico Baldur’s Gate (1998), o primeiro RPG a ser lançado pela BioWare


Mapa da Costa da Espada do jogo Baldur's Gate



A terceira edição do D&D chegou em 2000 e foi seguida pelo Forgotten Realms Campaign Setting, de 2001, um dos livros de RPG mais bonitos já publicados. Nos sete anos seguintes, Forgotten continuaria a crescer em popularidade, com mais jogos eletrônicos como Icewind Dale (2000) e Neverwinter Nights (2002) contribuindo para o seu sucesso.



Forgotten Realms - 2001

Em 2008, D&D lançou sua 4ª edição, porém com uma vibe totalmente diferente: destruir os reinos e transformar em uma espécie de cenário pós-apocalíptico e meio que high-concept. A decisão foi rejeitada pela esmagadora maioria dos fãs fazendo com que as vendas de D&D 4e e principalmente de Forgotten Realms fossem decepcionantes. Hoje muitos fãs afirmam que o sistema não era ruim, apenas que usaram como forma de sabotar a forma decepcionante que fizeram com os Reinos. Em 2014, quando a Wizards of the Coast lançou a 5ª e atual edição, com uma versão mais simples e intuitiva, as vendas foram retomadas com o enorme sucesso imediato. Ainda mais notável foi o fato de que, pela primeira vez, os Reinos eram o cenário padrão para um jogo de D&D. O novo cenário reverteu a maioria das mudanças desastrosas da época da 4ª edição e restaurou a popularidade e o gosto pelo cenário.


Ainda existem caminhos não percorridos. Um filme do cenário está em desenvolvimento com lançamento programado para 2021 ou 2022, e a Larin Studios está trabalhando para retomar a atuação em jogos eletrônicos com o aguardado Baldur’s Gate III. Após um breve hiato, a linha de livros de Salvatore com uma nova série de livros de Drizzt está sendo trabalhada, embora não pareça ter planos para mais novidades no momento. E, vigiando de cima, Ed Greenwood, que publicou pela Wizards em 2012 a sua versão do cenário com o livro Ed Greenwood Presents Elminster's Forgotten Realms (o que de certa forma mostrava certo descontentamento com os rumos tomados pelo cenário e já inaugurava a nova era da 5ª edição que já estava em teste nesta época sob o nome de D&D Next), diz que tem muito material não publicado e material de ambientação de uma quantia maior do que nunca vista. Vendo assim, parece que Forgotten permanecerá ainda bom por um bom tempo nas vendas de RPG.


Ed Greenwood Presents Elminster's Forgotten Realms - 2012


MAPEANDO OS REINOS


O mapa original de Forgotten Realms de Grennwood foi focado no continente de Faerûn, estendendo-se, para o oeste, até a ilha de Evermeet; para o sul, até as selvas de Chult e a ilha de Nimbral e além; para leste, permeou entre Semphar e as Planícies dos Cavalos; e norte, até a impotente cordilheira da Espinha do Mundo, o Mar do Gelo Interminável e além. Ele não tinha noção do que havia em outras partes do mundo, exceto por uma enorme fila de ilhas ao noroeste chamada Anchôromé.


Outros escritores e editores logo expandiram o cenário. O livro Oriental Adventures, de 1985, de Dave “Zeb” Cook, detalhou uma terra asiática chamada Kara-Tur. Isso foi depois trasportado para a metade oriental do continente numa caixa básica chamado Kara-Tur: The Eastern Realms (1988). Em 1990, a caixa básica Horde, explorou as planícies de Tuigan, que ligavam os dois subcontinentes. Em 1991, a caixa Maztica Campaign Set adicionou um novo continente ao oeste de Faerûn. Em 1992, foi lançado o sub-cenário Al-Qadim, detalhando as terras de Zakhara, ao sul de Faerûn



Mapa de Faerûn da caixa básica de AD&D, que teve versão traduzida pela Abril Jovem.



Em todos esses conjuntos de caixas, aventuras e guias de campanha, os mapas eram um acessório sempre presente. Não apenas mapas dos continentes e terras, mas mapas de países, cidades, ruas e até edifícios individuais. O conjunto City System (1998) contém um mapa colossal de Waterdeep, que é grande demais para caber na maioria das casas de tamanho médio e nomeia praticamente todos os edifícios da cidade. Forgotten Realms é quase certamente o mundo de fantasia mais detalhado que existe, com literalmente milhares de mapas de seus mais diversos locais. 


Mapa de Faerûn da 3ª edição de D&D



A produção de mapas dos Reinos não ficou restrita a superfície. Umbreterna também teve seus mapas em suplementos como  Drizzt Do'Urden's Guide to the Underdark de 1999.


Mapa de Umbreterna


Apesar disso, um mapa mundial completo e canônico de todo o planeta de Abeir-Toril teve que esperar até o lançamento do Forgotten Realms Interactive Atlas (1999) em CD-ROM. O atlas representava quase todos os mapas de todos os produtos de Forgotten já lançados e também um mapa-mundi completo que adiciona vários novos continentes ao planeta. Ed Greenwood mais tarde revelaria algumas informações novas sobre esses continentes, mas, vinte anos depois, eles ainda receberam poucas mudanças depois do lançamento original.

Forgotten Realms Interactive Atlas (1999)

Outro suplemento de destaque foi lançado em 1990: The Forgotten Realms Atlas. Ele trazia mapas dos principais romances e novos produto lançados após o livro de cenário, atualizando os mapas e trazendo, por exemplo, detalhes das viagens de Drizzt e seus amigos na trilogia do Vale do Vento Gélido ou dos eventos narrados na série de romance Avatars.


Forgotten Realms Atlas - 1990

Os mapas dos continentes nem sempre foram os mesmos. Um dos primeiros grandes cataclismas ocorreu no ano de -10500 CV, quando o reino dos elfos de Miyeritar, uma enorme floresta, foi encoberto por tempestades mágicas em decorrência da guerra entre elfos, chamada Guerras das Coroas, o que destruiu todo o reino e a floresta, sendo substituídos pelos infames Charcos Elevados. A guerra entre o povo de Netheril e as aberrações arcanas conhecidas como Phaerimm destruí uma enorme planície, derrubou cidades flutuantes e deixou em seu lugar o deserto de Anauroch.


A Guerra das Coroas


Os eventos da Praga Mágica também modificaram por demais o continente e as ilhas, sumindo com a ilha de Lantan, continentes como Maztica e transformando a península de Chult em uma ilha. 


Mapa de Faerûn 4e



Por fim, alguns desses eventos foram revertidos na atual edição, modificando mais uma vez o cenário. O mapa de Stu Cook traz uma possível visão do cenário. Você pode baixar o mapa completo AQUI, mas logo avisamos: O mapa tem mais de 200 megas e é absurdamente detalhado. 



Mapa de Forgotten Realms por Stu Cook


Assim nós, apaixonados por mapas, aguardamos quantos mais serão publicados com grande expectativa! Esperamos que tenham gostado dessa breve história sobre o cenário e seus mapas.


Bons jogos!





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2 Comentários

Eu sempre achei FR um cenário genérico, que aglomerava um monte de coisas sem ter muita identidade. Aí nunca senti vontade de jogar, embora conheça os livros e tal. Fico admirado apenas com a quantidade de trabalho envolvida em criar tantas coisas, mas prefiro cenários mais originais, como Ravenloft.
Tarso D'mask disse…
Gostaria de saber onde achar mapas de cidades de faerun, as principais pelo menos